Tive Ceratocone e fiz transplante de córnea
Saúde

Tive Ceratocone e fiz transplante de córnea

Eu uso óculos desde pequenininha. Minha mãe notou um desvio nos meus olhos e me levou à oftalmologista. Fui diagnosticada com miopia e astigmatismo e comecei a usar óculos com 1 ano e meio. Aos 15 anos, num dos meus exames de rotina, minha oftalmologista (aquela, que me atendeu novinha) notou uma alteração no astigmatismo e pediu um novo exame. Foi em agosto de 2002 que recebi o diagnóstico: eu tinha Ceratocone.

Como toda pessoa curiosa, joguei o nome da doença no Google e começou o meu desespero, mas também me fez começar a ter conversas francas com minha oftalmo. Descobri que é uma doença degenerativa da córnea. É congênita, ou seja, já nascemos com predisposição para ter e afeta de 1 a 2% dos brasileiros. É normal que o Ceratocone apareça na infância, na adolescência ou no princípio da vida adulta, ou seja, em fases de desenvolvimento pessoal ou profissional, onde a visão tem grande importância. Após o surgimento do Ceratocone, os exames que antes eram anuais, passam a ser semestrais, pois o astigmatismo era o principal indicativo sobre o avanço da doença em mim.

 

 

SINAIS / SINTOMAS

Se existiu e/ou existe alguém na família com Ceratocone, é muito importante informar ao oftalmologista. Por ser uma doença que causa perda progressiva da visão, é normal que os óculos deixem de servir em menos de um ano. Além disso, outros sintomas são:

  • Visão embaçada, dupla ou distorcida;
  • Fotofobia;
  • Comprometimento da visão noturna;
  • Córnea irregular ou opaca.

Coçar os olhos frequentemente é um dos principais causadores, mas também um dos sinais de que tem algo errado. Quanto mais coçamos os olhos, mais a córnea tem sua resistência e elasticidade alteradas, deixando de ter o formato arredondado e passando a ter um formato de cone. Quanto mais a doença agrava, mais pontuda a córnea fica.

 

TRATAMENTOS

Ceratocone é uma doença sem cura, mas existem tratamentos de acordo com os níveis de manifestação da doença, vai do uso de óculos ao transplante de córnea.

  • Óculos: utilizado no estágio inicial da doença. Em alguns casos o surgimento de miopia e/ou astigmatismo são sinais de Ceratocone, mas podem ser facilmente resolvidos com óculos no grau necessário;
  • Lente de contato rígida: quando os óculos não nos ajudam mais, significa que a doença chegou ao estágio moderado. Passamos a usar lente de contato rígida, que é uma lente de consistência semi-flexível e menor que a córnea. Exige um período de adaptação de 2 a 3 semanas com o oftalmologista para então ser usada normalmente
  • Implante: quando há intolerância às lentes rígidas ou quando elas já não ajudam mais, o implante de anel intracorneano é realizado para regularizar a curvatura da córnea;
  • Crosslinking: é um procedimento para quando a doença está em estágio moderado. O oftalmologista realiza uma raspagem na córnea, aplica um colírio de vitamina B2 e finaliza com um feixe de luz ultravioleta. Seu objetivo é aumentar a ligação das fibras de colágeno na córnea para evitar o progresso do Ceratocone;
  • Transplante de córnea: é realizado apenas quando o Ceratocone atinge o estágio mais avançado.

Tive Ceratocone e fiz transplante de córnea

 

TRANSPLANTE DE CÓRNEA

Chegar ao estágio do transplante de córnea é muito ruim. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% dos transplantes de córnea feitos no Brasil são por causa do ceratocone. A fila de espera chega a ser muito longa e demorada em alguns locais do Brasil. Atualmente, existem três tipos de transplante de córnea:

  • Transplante penetrante: é a técnica convencional (fiz nos dois olhos) e retira toda a espessura da córnea. Passou a ser indicada apenas em casos onde todas as camadas da córnea foram afetadas. O tempo de recuperação varia de um a dois anos e os pontos começam a ser retirados após seis meses de cirurgia;
  • Transplante lamelar anterior: técnica que remove cerca de 90% da córnea e, como o nome já diz, é indicada para casos onde a doença atingiu as camadas anteriores da córnea;
  • Transplante endotelial: técnica indicada para pacientes cujo ceratocone atingiu somente a camada mais interna da córnea.

Pessoas que realizam o transplante penetrante ou o transplante lamelar anterior podem precisar de correção de grau através de óculos, lentes de contato, microincisões relaxantes ou cirurgias a laser. O oftalmologista analisa e indica a melhor opção de acordo com o resultado pós operatório.

A córnea é um órgão que só pode ser doado pós morte. Todos podem se declarar doadores, pois é realizada uma avaliação tanto sobre a causa da morte quanto na córnea em si. Pessoas entre 2 e 80 anos podem doar, porém, não é permitido escolher o receptor como em doações de rim, sangue e outros órgãos doados em vida. Existe uma Lei de Doação de Órgãos, que cria uma lista única de cadastro com base na ordem de inclusão ou urgência. Informe à sua família que você deseja doar as córneas, assim, duas pessoas podem voltar a enxergar.

 

 

Fontes: H. Olhos, Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem, Botelho Hospital da Visão e G1.

Nascida em São Paulo e criada em Recife, pisciana, publicitária, fotógrafa, viciada em seriados, tatuagens, tênis e apaixonada por azul.

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